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RBJID
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 histÓrico da rbjid

      Em 1942, os Ministros de Relações Exteriores dos Países americanos, por ocasião da Terceira Reunião de Consulta realizada no Rio de Janeiro, recomendaram a criação da Junta Interamericana de Defesa (JID), destinada a “estudar e sugerir as medidas necessárias à defesa do Continente”.
      A criação da JID foi o produto da aproximação entre os países do Hemisfério Ocidental durante a Segunda Grande Guerra Mundial. A Terceira Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, ocorrida entre 15 e 18 de janeiro de 1942, no Rio de Janeiro, recomendou, por meio da Resolução 39, a “reunião imediata, em Washington, de uma comissão composta por técnicos militares e navais nomeados por cada um dos governos para estudar e sugerir a esses as medidas necessárias para a defesa do continente”. No dia 28 de março, às 15:00 horas, ocorreu uma reunião preliminar dos membros da JID, no Salão das Américas do Palácio da União Pan-americana, em Washington, DC, sob a presidência do seu Diretor Geral, Dr L. S. Rowe, com vistas à consideração de temas relacionados com a organização da Junta.
      A Sessão Inaugural da JID ocorreu no dia 30 de março de 1942, no Palácio da União Pan-americana, com a presença de delegados da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Estados Unidos, Uruguai e Venezuela.
      Discursaram, na ocasião da Sessão Inaugural, personalidades da comunidade diplomático-militar em Washington e do primeiro escalão do governo dos EUA. O Presidente da Junta Diretiva da União Pan-americana ofereceu aos delegados da JID os recursos da União Pan-americana para os seus trabalhos. O recém-eleito Presidente da JID, General Ex EUA S. D. Embick enfatizou o caráter econômico-industrial da guerra mundial em curso e a necessidade das matérias-primas continentais para esse esforço. O Secretário de Guerra dos EUA destacou a necessidade do fornecimento por todas as nações das Américas dos materiais e abastecimentos necessários ao esforço de guerra, explicando as dificuldades de fornecer, nos termos da Lei de Empréstimos e Arrendamentos, armas aos países do Hemisfério na velocidade desejada, vislumbrando na JID o fórum adequado para a discussão das necessidades e possibilidades de assistência mútua. O Secretário da Marinha dos EUA alertou para a urgente necessidade de controlar e proteger a navegação no Hemisfério, já sob ataque de navios inimigos, e para a prevista expansão das operações ao Atlântico Sul e a todo o Pacífico.
      A partir de então as reuniões da JID passaram a ocorrer no prédio do Federal Reserve Board, situado na Constitution Avenue, em Washington DC. Na Sessão Plenária de 16 de abril foi aprovado, por unanimidade, o Regulamento da JID, com 29 (vinte e nove) artigos. Conforme o previsto nesse regulamento, o Brasil se fez representar por uma delegação composta por “delegados técnicos militares, navais e aeronáuticos”, bem como, a partir de 1943, assessores.
      Um episódio marcante naquele ano de 1942 foi a convocação da 17ª Sessão Plenária, em caráter especial, atendendo solicitação da Delegação do Brasil, para dar conhecimento oficial da nota enviada pelo Governo do Brasil a todos os Países do Continente. Naquela histórica sessão, de 24 de agosto, o Chefe da Delegação do Brasil leu a nota pela qual o Governo do Brasil reconhecia a situação de beligerância com a Alemanha e Itália, depois dos ataques perpetrados, entre 15 e 16 de agosto, contra cinco navios mercantes brasileiros em águas costeiras nacionais, custando a vida de mais de seiscentas pessoas. O ataque, segundo a nota, era uma agressão direta ao Brasil, e uma extensão da guerra à América do Sul. O Brasil tornara-se assim a primeira nação americana a sofrer na Segunda Guerra Mundial um ataque à sua área continental, com a perda de centenas de vidas, a grande maioria de civis.
      Após a Segunda Guerra Mundial a JID evoluiu, acompanhando os acontecimentos nos cenários internacional e continental, e refletindo os entendimentos político-diplomáticos da nova era, dos quais se destacam a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização dos Estados Americanos (OEA). A Delegação do Brasil teve papel relevante nos trabalhos de atualização da JID em face às novas necessidades de defesa do Hemisfério.
      A partir de 1950, respondendo às necessidades das novas atribuições da JID como encarregada do planejamento da defesa do Hemisfério, a Delegação do Brasil passa a incluir, além dos delegados e assessores, Oficiais do Estado-Maior da JID. Com a criação do Colégio Interamericano de Defesa(CID) no âmbito da JID, a participação brasileira passa a contar, a partir de 1962, com assessores naquele instituto de altos estudos, e, obedecido o rodízio entre países, com oficiais-generais desempenhando a função de Diretor de Estudos do CID. Nos anos setenta, a representação brasileira na JID passou a contar com a participação de civis no CID, oriundos do Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra (ESG).
      Com a reestruturação da Representação do Brasil na JID (RBJID), pelo decreto 83.068, de 22 de janeiro de 1979, a participação brasileira entrou numa nova fase. Segundo essa nova organização, cabe à RBJID assegurar a coordenação dos trabalhos da Delegação do Brasil na JID e das atividades dos militares e civis brasileiros no exercício de cargos ou funções nesse Organismo internacional. Dentre suas competências inclui-se a de assessorar a Representação Permanente do Brasil junto à OEA, em matérias de caráter técnico-militar. A partir dessa data o Chefe da Delegação do Brasil na JID, agora Chefe da RBJID, passava a ser nomeado exclusivamente para o exercício da função. Da mesma forma, os oficiais designados para o escritório da Representação do Brasil, agora RBJID, foram nomeados delegados.
      Ao longo dos mais de sessenta anos da existência da JID, o Brasil vem se fazendo representar de maneira consentânea com a Política, a Estratégia e a Doutrina militares brasileiras.

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