Atuação Brasileira em Missões de Paz Cel Art Sérgio Paulo Muniz Costa
É antiga a atuação brasileira em prol da Paz no quadrante sul-ocidental do planeta.

O amplo conceito de missão de paz infere a participação no esforço contra invasões, ambições ditatoriais, e violações à soberania dos países amigos, além da promoção do entendimento entre nações em conflito. Assim foi, desde 1648, quando a primeira força expedicionária brasileira da História, comandada por Salvador Correia de Sá e Benevides, constituída por quinze navios, seiscentos marinheiros e novecentos soldados, com a participação de índios tapuias, desembarcou nas proximidades de Luanda, derrotando uma força mercenária a serviço da Companhia das Índias Ocidentais, concluindo a Restauração de Angola. Mais tarde, entre 1851 e 1852, somando esforços à grande aliança pela democracia na América do Sul contra a tirania de Rosas, o Brasil participou das operações militares que levaram à derrubada da ditadura rosista. O levantamento do cerco a Montevideo, a memorável passagem de Toneleros e o papel central desempenhado pela Divisão brasileira na Batalha de Monte Caseros foram contribuições militares importantes para a conclusão vitoriosa das operações. A pedido do governo do Uruguai, a Divisão de Observação brasileira permaneceu naquele país amigo até 1856, contribuindo para a paz e a estabilidade regionais. A participação brasileira na Comissão Militar Neutra após a Guerra do Chaco, em meados dos anos 30, após o conflito ocorrido entre Paraguai e Bolívia, foi outra contribuição à harmonia regional. Após a Segunda Guerra Mundial, com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA), o Brasil, mercê de sua relevante atuação no conflito mundial em defesa da democracia e liberdade, passa a participar das missões de paz sob o mandato dessas organizações internacionais em diferentes regiões do mundo.
| Região | Mandato | Ano | | Oriente Médio | ONU | 1957 -1967 | | Caribe ( República Dominicana) | OEA | 1965-1966 | | Congo | ONU | 1960-1964 | | Nova Guiné | ONU | 1963 | | Paquistão | ONU | 1965 | | Angola ( UNAVEM I) | ONU | 1989 – 1991 | | América Central ( ONUCA) | ONU | 1989 -1992 | | El Salvador (ONUSAL) | ONU | 1992-1995 | | América Central ( MARMINCA) | OEA | 1993 - | | Angola (UNAVEM II) | ONU | 1991 -1993 | | Moçambique (ONUMOZ) | ONU | 1992 | | Ruanda – Uganda ( ONOMUR) | ONU | 1992 | | Suriname | OEA | 1992 | | Guatemala (MINUGUA) | ONU | 1994 | | Angola (UNAVEM III) | ONU | 1995 | | Bósnia - UNPF (ex UNPROFOR) | ONU | 1996 | | Chipre (UNFICYP) | ONU | 1997 | | Equador e Peru ( MOMEP) | OEA | 1996 | | Timor Leste | ONU | 1999 |
Os militares brasileiros têm atuado nas forças de paz acima descritas como observadores militares, supervisores de trabalhos de desminagem e integrantes de unidades ou frações de tropa brasileiras colocadas à disposição do órgão internacional fiador do processo de paz. Nessa última condição destacam-se as participações no Oriente Médio, São Domingos, Angola, Moçambique e Timor. O destacado e bem sucedido papel do Brasil nas missões de paz tem favorecido a projeção de uma imagem positiva do País no cenário internacional, coerente com a tradição da Política Externa brasileira. Num mundo em contínua e rápida evolução, a tradicional postura brasileira em defesa dos postulados básicos da democracia, liberdade, tolerância e autodeterminação dos povos, respaldada no Poder Nacional, é uma contribuição significativa para um mundo mais estável e seguro. |
|
Last Updated ( Tuesday, 15 July 2008 )
|